- Então, Ven ... - falou Magnus, calmamente. - Já está mais disposto a falar? Se não estiver,
lembre-se de que ainda poupei um, mas com esse, eu serei um pouco mais... severo.
Ian se adiantou.
- Não deixarei que faça o que bem entender, Magnus! - E, batendo com as duas mãos no chão,
disse: - Estilo da terra, Punhos de Pedra!
O chão de pedra do castelo próximo às mãos de Ian ganhou uma aparência líquida e começou
a subir por suas mãos até chegar no antebraço, onde pareceu se solidificar, mas ainda com uma
textura maleável. Parecia uma segunda armadura.
- Vamos ver se você é bom em combates corpo-a-corpo, Magnus!
- Não gosto de ter que tocar em humanos imundos como você, mas já que parece não ter outro
jeito... venha.
Ian avançou na direção de Magnus com os punhos erguidos, e quando estava a uma distância
que considerou aceitável, começou a desferir seus socos. As sequências eram rápidas, e
combinadas de uma maneira que seria mortal para qualquer um. Magnus, porém, não mostrava
nenhuma dificuldade em escapar dos golpes, desviando de todos, sem nem ao menos precisar
bloquear.
Aproveitando-se de uma brecha nos socos de Ian, o maligno bruxo o atingiu no meio do peito,
com a palma da mão aberta. O ataque foi violento, e chegou a rachar o peitoral da armadura do
guerreiro de classe Tigre, fazendo com este perdesse o ar e começasse a tossir, se ajoelhando no
chão.
- Não... - ofegou Ian. - Não posso acabar assim...
- Acabou, verme. Por ter desperdiçado meu tempo, vou matá-lo, assim como fiz há pouco com
seu colega que tentou inutilmente me atacar usando plantas como armas. Um poder interessante, porém inútil...
- Desgraçado! - irritou-se Ian. - Marino era um grande bruxo e guerreiro! Como pode falar
assim dele...
- Então junte-se a ele! - E erguendo a mão mais uma vez, exclamou: - Impacto de gravidade!
Uma imensa força invisível pôde ser notada, arrancando as pedras do chão até chegar em Ian,
arremessando-o para trás, fazendo com que atingisse a parede do castelo, que quebrou, resultando na queda do guerreiro para fora do castelo.
Magnus virou-se na direção do rei.
- Muito bem, Ven. Como pode ver, não sobrou mais nenhum dos seus subordinados aqui. Fale
logo onde está o que quero, não quero gastar mais tempo revirando este castelo!
O monarca permaneceu mudo, e recuou até sentar no trono, onde pareceu se agarrar
firmemente.
Magnus o observou.
- Ora, meu caro... me responda uma coisa. Por que alguém que tem um imenso salão para fugir
escolheria justamente um lugar fixo? Escondendo alguma coisa aí, talvez... - Magnus falava
avançando na direção dele.
Ven empalideceu, e suas mãos agora apertavam tanto os braços do trono, que a ponta de seus
dedos estava branca.
- Ah, parece que eu acertei, não é? - caçoava o bruxo. - Levante-se.
- Não! Você realmente sabe o que quer, Magnus? Esse artefato é perigoso! O sacrifício
necessário... são vidas demais! Não pode usar as pessoas para um propósito egoísta de domínio!
- Ah, eu posso! Ou acha que as cidades de Lirina e Colus sumiram por acaso?
- Não pode ser... Nenhum ser-vivo ousaria segui-lo se soubesse seus objetivos!
Magnus soltou uma gargalhada.
- E quem disse que meu exército é vivo, Ven? Além do mais, meus dois ajudantes são o suficiente, como ficou provado hoje. - disse ele, sorrindo.
- Não... mortos? Mas isso é artes das trevas... mas... com quem você aprendeu isso? - O rei
perguntava, com uma expressão de assombro no rosto. - Nâo acredito que você tenha descido
tanto, Magnus...
- Bom, você não precisa saber como aprendi, já que vai partir deste mundo...
- Mas Magnus, não ouviu boatos por aí de que há uma maldição no que está procurando?
- Somente tolos acreditam em maldições. Sinto muito, Ven, já falamos demais por hoje. Estilo
do fogo! Canhão devastador!
Um clarão tomou conta do recinto, e quando apenas a lua e as tochas voltaram a ser as
responsáveis pela iluminação, ficou claro a potência do ataque do bruxo: não havia sobrado nada
do trono, exceto por alguns pedaços, e no lugar onde ele antes ocupava, agora havia um buraco,
revelado pela ausência do trono.
Magnus se aproximou do buraco e o examinou. Seus olhos se fixaram em um ponto. Então,
enfiando seu braço na abertura, ele tirou um baú de seu interior. Quebrou a tranca, e ao abri-lo,
a satisfação se tornou evidente em seu rosto.
- Só faltam duas, agora.
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