A chuva batia forte nas paredes do castelo. O vento frio que entrava pela janela estava
carregado com a tristeza e os prantos causados pela perda de inúmeras vidas naquela noite. As
velas e tochas remanescentes resistiam bravamente ao vento, com suas tênues chamas revelando parte do salão do trono.
O rei estava de pé, voltado para a porta que dava entrada ao salão. Trajava uma elegante
armadura e empunhava sua espada, para a qual mantinha os olhos fixos. Seu rosto deixava
transparecer uma mistura de tristeza com preocupação.
Alguns soldados também estavam presentes no recinto. Três arqueiros estavam posicionados
atrás do rei, ocupados contando quantas flechas ainda possuíam. Outros dez soldados estavam
distribuídos pelo salão, e demonstravam estar tão preocupados quanto o rei. A maioria lançava
olhares ansiosos e periódicos a uma vistosa flor branca, que anormalmente havia se desenvolvido dentro de uma armadura vazia que ocupava o salão do trono. A flor pendia para fora do elmo, e
quase todos a olhavam sem piscar naquele momento.
O rei foi o primeiro a quebrar o silêncio.
- Senhores, creio que a nossa situação já tenha chegado a um ponto irremediável. Nossa hora
se aproxima. Peço perdão a todos vocês, por ter sido um rei tão incapaz... - disse, baixando a
cabeça.
Um dos soldados olhou para o rei. Sua voz estava fraca.
- Meu rei... quer dizer então que realmente não temos chance contra ele? O que faremos? E se...
- Acalme-se! - Um arqueiro interrompeu-o. - Se estamos aqui com o nosso rei agora, é porque
o apoiamos, e se tivermos que lutar, lutaremos e até morreremos por ele! Não nos rebaixaremos
ao nível de traidores e covardes!
Murmúrios de aprovação se seguiram ao discurso enfurecido do arqueiro.
Um homem escancarou a porta nesse momento. Também vestia uma armadura, porém esta era
diferente das outras. Era branca, com detalhes em laranja, com o desenho de um tigre no peitoral
, indicando que ele era um bruxo da classe Tigre, a segunda mais alta.
Correndo, logo ele se ajoelhou na frente do rei.
- Majestade, vim aqui para pedir-lhe que fuja! Não estamos conseguindo segurá-los, e Magnus
veio pessoalmente! Nossos bruxos e guerreiros de mais alta classe já foram quase todos
dizimados! Marino está agora duelando com Magnus para atrasá-lo, por isso fuja, majestade, por
favor!
- Sinto muito, Ian... mas ficarei aqui e enfrentarei Magnus. Sei que morrerei, mas não quero ser visto como um covarde que fugiu enquanto todo seu povo está morrendo! Deixem-me aqui.
Ouviu-se uma grande explos o vinda de fora do sal o, nos jardins do castelo. A flor branca que
pendia para fora do elmo repentinamente secou, perdendo suas pétalas. O rei olhou para os restos da planta, agora totalmente dominado pela tristeza. Tornou a encarar o chão, murmurando:
- Me perdoe, Marino...
-O Senhor Marino... perdeu... ? Não é possível! - Exclamou um dos soldados, enterrando a
cabeça nas mãos. - Ele era um bruxo de classe Drag o! A maior classe! Nosso melhor feiticeiro,
o famoso Dragão da Floresta...
O silêncio instalado no recinto após o choque não durou muito tempo, pois uma segunda
explosão destruiu as portas, lançando pedaços de madeira para todos os lados. Um desses acabou
por atingir um soldados no pescoço, matando-o. Ninguém ali teve tempo de lamentar sua morte,
já que, pelos destroços da porta e em meio fumaça, entrou Magnus.
O traje composto por basicamente o peitoral e ombros de uma armadura leve indicavam que
ele era um bruxo. Um manto negro cobria tanto as costas quanto a frente de seu corpo, deixando
apenas parte dos braços de fora, protegidos por uma braçadeira de couro. Seu rosto deixava
inconfundível o fato de ele ser alguém muito novo, alguém que tinha pouco mais de vinte anos.
Os cabelos negros e compridos caíam por cima do manto, tornando-se quase invisíveis. Os olhos
eram da mesma cor do cabelo, e pareciam analisar a cena de modo perspicaz.
Ele ficou olhando para todos no sal o do trono, mas ninguém se mexeu ou falou.
- Ora, ora... - Disse Magnus, com uma voz grave, mas calma. - A surpresa em me ver é tão
grande assim? Me parece que todos vocês perderam a fala ao me ver. Principalmente você...
majestade.
- Magnus... - Começou o rei. - Você realmente pretende seguir com isso? Se pretende, você é
um monstro! Não deixarei que consiga o que quer, mesmo que isso signifique morrer aqui!
Os olhos de Magnus se estreitaram levemente, mas foi o suficiente para que ele adquirisse uma
aparência extremamente ameaçadora.
- Chega de brincadeiras, Ven. Sabe muito bem do que sou capaz, então entregue-me logo o que
quero. A menos que você queira ver seus soldados indo para o mundo dos mortos um a...
- Insolente! - Interrompeu Ian. - Como ousa falar assim com sua majestade? E lembre-se de que eu sou seu adversário, não me ignore!
- Um leão jamais se deixa importunar por meros insetos. Mas, se vocêrealmente quer lutar
comigo então, permita apenas que eu me livre de distrações, sim?
E dizendo isso, Magnus ergueu uma de suas mãos, dizendo:
- Estilo do vento, Tempestade Cortante!
O vento no salão ficou mais forte até formar, visivelmente, uma forte corrente de ar, que se
movimentava como uma serpente. A corrente passou por todo o salão, cortando impiedosamente
desde as armaduras até a carne dos soldados, matando-os em segundos, poupando apenas o Rei
Ven e Ian.
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